Blog criado por familiares e parentes para caracterizar uma forma de comunicação aos muitos amigos, parceiros, militantes e ativistas dos Direitos Humanos sobre a luta por Justiça e contra a impunidade, bem como a criminalização da homofobia, que revela o caso de assassinato do adolescente de 14 anos, Alexandre Thomé Ivo Rajão, conhecido como Alexandre Ivo - ALE! morto no dia 21 de junho de 2010
domingo, 22 de maio de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Angélica Ivo escreve sobre Alexandre Ivo - seu filho assassinado: Confissões de uma mãe
FOTO: Paula Ivo, Alexandre Ivo e Angélica Ivo (mãe)
Quero dizer que não tenho a dimensão de que minhas falas estão alcançando mais não pretendo me calar e diante disso espero está podendo de alguma forma explicitar o que verdadeiramente estou vivendo, sentindo e lutando por justiça pelo Alexandre, por nossa família e pelas pessoas que se enquadra em nossa classe social para que não deixem de acreditar que a justiça é para todos e que possam se conscientizar que também enquanto sociedade temos que fazer a nossa parte. Desde já espero que minhas palavras façam com que as pessoas entendam que o preconceito, a intolerância e o desrespeito matam dia a dia e a homofobia dilacera pessoas e suas famílias.
Eu constitui minha família aos 23 anos de idade e tive em seguida a primogênita que se chama Paula Ivo (17 anos) e um ano meio depois tive o Alexandre Ivo (14 anos) meu casamento teve um período curto de duração e voltei para casa dos meus pais e dei continuidade a minha vida juntamente com meus filhos e meus pais (eles cresceram com toda estrutura que uma família de classe média pode proporcionar) quanto à afetividade isso nunca faltou em nossas vidas, ainda mais que os meus filhos preenchiam as nossas vidas com muita alegria e o Alexandre era o rapazinho da casa, muito protegido pela irmã e pela avó, chamava sempre a atenção porque era muito bonito e inteligente ele não se intimidava a participar de qualquer assunto, devido a minha separação eu sendo filha caçula toda minha família abraçou os meus filhos e isso gerou muito mais amor, cumplicidade, responsabilidade.
Na verdade, eu me dei conta nessa semana que passou pra ser mais exata no dia 29/03 na audiência que não aconteceu sobre o que Alexandre poderia vir a pensar na questão de sua orientação sexual e eu acredito pelo que conheço do Alexandre que talvez nem ele soubesse ou estivesse preocupado ainda com essa questão pelo simples fato de está entrando na fase do descobrimento, e quanto ao fato de amar ou deixar de amar meu filho pela escolha de sua orientação sexual não passaria nunca pela minha cabeça e nem pelo meu coração, não seria fácil, nunca é fácil ainda mais de se tratar de uma escolha que lhe traria ou não muitos momentos de auto-afirmação, enquanto pais, ficamos receosos pelo que os nossos filhos possam vir a sofrer e no caso do meu filho em particular não lhe deram essa opção... o condenaram a morte.
Nossa família acredita no contexto da palavra VALORES então somos bem ecléticos no contexto RELIGIOSO (Católicos, Espíritas e Evangélicos) no contexto RAÇA (Negros, Portugueses e Italianos), no contexto ORIENTAÇÃO SEXUAL (homossexual e heterossexual) então não teria como educa-los sem respeitar a diversidade, vivemos no Brasil e temos que crescer e educar nossos filhos com esta consciência e acima de tudo fazê-los conhecedor do significado de RESPEITO ao ser humano.
Eu não tinha conhecimento de crimes motivados por homofobia (crimes de ódio), não tinha conhecimento dos requintes de crueldade que um individuo comete com suas próprias mãos em outro ser humano motivado por homofobia, nem muito menos aceito o que leva um individuo a cometer tal crime, no meu caso, Alexandre foi seqüestrado, torturado físico e com certeza psicologicamente, ele foi agredido por mais ou menos 3 horas e pelo que tivemos conhecimento através do legista ele lutou o quanto pôde pela sua vida embora em uma luta desigual 3 homens de porte físico maior que o dele (23 anos) eu fico imaginando o quanto o meu filho implorou pela sua vida, o quanto ele pediu para que não fizessem tal violência contra ele, pois ele era um menino pacífico, tinha medo da violência e a sofreu na íntegra.
Na verdade a minha luta começou desde que soube da morte do Alexandre, primeiramente para que a polícia trabalhasse no caso e me trouxesse os verdadeiros fatos e aí quando me dei conta com a verdadeira motivação do assassinato do meu filho eu não poderia me esconder... seria como assassinar o Alexandre novamente, eu não me escondi, eu não tenho receio e nem vergonha de falar sobre o assunto, pelo contrário as pessoas têm que se dar conta de que crimes como esse pode acontecer com qualquer um, meu filho não foi assassinado em comunidade, ele foi assassinado por indivíduos de classe média que tem acesso a advogados... então vamos acordar, vamos fazer barulho e é por isso que vou fazer JUSTIÇA no caso Alexandre Ivo e infelizmente eles aguardam o julgamento em liberdade porque o nosso código penal só favorece a quem pratica o delito e não resguarda a vítima e eles vão se favorecer em não responder pelo crime de homofobia, porque o SENADO do nosso PAÍS é composto por fundamentalistas e religiosos que infelizmente são colocados por uma parte dessa nossa sociedade.
Eu na verdade ainda não tive oportunidades em relação aos pais, mas já me deparei com vários jovens que me consideram como a Mãe LGBT, como já falei não é fácil mais porque nós vamos dificultar ainda mais, temos que manter nossos filhos longe da violência, isso inclui nossa casa, respeite e com certeza será respeitado, converse, aprenda a ouvir e o aprendizado da diversidade vai ser tão natural e como eu queria ter tido essa oportunidade sendo meu filho homossexual ou não de estar hoje aqui com ele em meus braços...
Para finalizar eu quero dizer que todos nós cidadãos temos como obrigação respeitar a diversidade como todo e nos incluirmos nela, a luta é por respeito à vida, hoje HOMOFOBIA MATA e o Alexandre Ivo retrata isso literalmente, pois vamos ficar com uma pergunta sem resposta se é que hoje isso tem tanta importância será que o Alexandre tinha se dado conta da sua orientação sexual? Isso não iremos saber por que ele já não se faz presente.
Obrigado!
Pela Criminalização da Homofobia!
Pela Vida, Pela Paz, Tortura e Impunidade, nunca mais.
Angélica Ivo
(Mãe de Alexandre Thomé Ivo Rajão)
quinta-feira, 31 de março de 2011
AUDIÊNCIA DO CASO ALEXANDRE (V)IVO É TRANSFERIDA!
Dia 29 de março de 2011, às 11 horas, na 4ª Vara Criminal do Fórum de São Gonçalo deveria ter a QUARTA AUDIÊNCIA DO CASO DO ASSASSINATO DE ALEXANDRE (V)IVO, mas infelizmente não ocorreu. Mas essa informação só nos foi dada às 15 horas, depois de horas e horas de espera, produzindo um clima de estress, cansaço e tensão.
Amigas/os, parentes e familiares, assim como militantes dos movimentos sociais na defesa dos Direitos Humanos, como o jornalista Wellington Castilho do Grupo Liberdade LGBT de São Gonçalo e a Profra Celi Santana e a Jornalista Cecília Setubal do Movimento de Mulheres de São Gonçalo, estiveram presentes, bem como autoridades estaduais e federal, tais como, o Sr Claudio Nascimento - Superintendente da Superintendência dos Direitos Individuais, Coletivos e Difusos - SUPERDIR da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Assistência Social do Rio de Janeiro, o Sr Almir França - Coordenador do Centro de Referência Metropolitano de Cidadania LGBT da SUPERDIR e o Sr Bruno Renato Teixeira - Ouvidor da Ouvidoria da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, representando a Ministra Maria do Rosário da referida Secretaria. Acompanhados do Dr Leonardo Rosa - Defensor Público e Coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro a família foi informada que a Audiência foi transferida por conta de problemas de saúde na família da Juíza Patrícia Aciolly, para o dia 19 de maio, no mesmo lugar, às 14 horas e a partir daí todos foram informados.
A luta tem sido intensa mas não nos esmorecemos, em maio, mês da Luta Nacional Contra a Homofobia, estaremos em conjunto com o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos LGBT do Rio de Janeiro na Caravana Sem Homofobia em São Gonçalo, ocasião que organizaremos o III ATO ALEXANDRE (V)IVO, bem como desejamos estar em Brasília por conta da II Marcha Nacional Contra a Homofobia e realizarmos o IV ATO ALEXANDRE (V)IVO pois tudo isso nos fortalecerá para a tão esperada IV Audiência do Caso do Assassinato de Alexandre (V)Ivo no dia 19 de maio.
Nesses 9 (nove) meses, Angélica Ivo tem sido homenageada e convidada por órgãos públicos, como a Câmara dos Deputados e Senado Federal, bem como por entidades de luta e defesa dos Direitos Humanos, tanto pelo Grupo Arco-Íris como pela Revista S, além de dar entrevistas para jornais e revistas de grande circulação assim como em programas e telejornais da TV e participar de várias manifestações e Atos Públicos na Defesa dos Direitos Humanos. Tudo isso é a forma de transformar o LUTO em LUTA!
Seminário dos Crimes LGBT na Câmara dos Deputados em Brasília
Entrega do 9º Prêmio Arco-Iris de Direitos Humanos
Em solidariedade a Viviane Marques, mãe de Douglas Marques, rapaz que levou um tiro na barriga por militares do Forte de Copacabana. Ato em frente ao Forte pedindo Justiça!
15ª Parada do Orgulho LGBT de 2011 na Praia de Copacabana
Homenageada pela Revista S no Teatro João Caetano - RJ
Ato 24h de Combate a Homofobia - Brasília-DF
Contra a Homofobia
Contra a todas as formas de Violência, Abuso, Tortura e Assassinatos
Contra a Impunidade!
Justiça Já!
ATO ALEXANDRE (V)IVO!
Abraços Fraternos,
Angélica Ivo - mãe
Paula Ivo - irmã
Washington Ivo - avô
Prof. Marco José Duarte - primo
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