domingo, 19 de agosto de 2012

Na Luta Contra a Homofobia, ALEXANDRE (V)IVO PRESENTE!

Evento na OAB de São Gonçalo: Direitos Humanos, Juventude e Violência - tributo aos 2 anos do assassinato de Alexandre (V)Ivo!

O Movimento ALEXANDRE (V)IVO e a OAB de São Gonçalo promovem uma MESA sobre DIREITOS HUMANOS, JUVENTUDE e VIOLÊNCIA como TRIBUTO aos 2 anos dos ASSASSINATOS de Alexandre Ivo e ao 1 ano da Juíza Dra Patrícia Acioli, dia 27 de agosto às 19 horas, na sede da OAB, com a presença do Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), Sra Angélica Ivo, o presidente da OAB, Dr Jose Luiz Muniz e o criminalista Dr Reinaldo Pereira dos Santos.


Contamos com a presença de todos e todas
Movimento ALEXANDRE (V)IVO

quinta-feira, 21 de junho de 2012

2 ANOS DE LUTO, 2 ANOS DE LUTA: ALEXANDRE (V)IVO PRESENTE



Um militante dos direitos humanos LGBT do interior do Estado do Rio de Janeiro, Rafael Menezes, do Grupo Cabo Free, presenteou a Angélica Ivo com dois poemas hoje, quando fazem 2 (dois) anos do assassinato de Alexandre Ivo, que reproduzimos abaixo.



"São dois anos apenas.


Setecentos e trinta dias de pura e infinda saudade agridoce.
São lembranças adocicadas que se deixam arranhar pela mais salgada das amarguras.



Ela quase que beira a insanidade disfarçada. Toma calmantes a mais, chora a mais, fica acordada a mais no vazio de sua existência que acredita ter perdido o sentido.



O que ela não sabe é do plano de Deus. Nosso corpo de nada mais serve quando nosso espírito cumpriu o que se havia de cumprir e assim tem sido por todo sempre.

Acredito que a saudade dele seja igual ou quem sabe maior, não há como romper o vinculo eterno entre mãe e filho. Acredito também que ele já esteja mais próximo, basta substituir o sofrimento pelo atentamento e observar que aquela lágrima já não é tão encorpada como há dois anos atrás, isso porque ela já precisa dar espaço pra felicidade chegar.

Nada é por acaso meu amor, acredite nisso fielmente. Tudo é apenas um desencontro triste mas necessário para que os desígnios de quem deu a feliz oportunidade de que você mãe dele sejam cumpridos.

É tudo questão de disciplina e atenção. É transferir a melancolia por saudade doce, é trocar a tristeza pelos estudos da alma e as coisas certamente vão se acalmar.

A nossa vida é o nosso livro e saber lê-lo é a maior dádiva que podemos negociar com o destino que não escreve nada por acaso, nada mesmo.

Um dia essa saudade da lugar ao reencontro e vais perceber o quão boba parecestes pra uma situação que só precisava do tempo exato pra por um sorriso tua face. Como eu disse, é tudo uma questão de contentamento, aceitação e disciplina.

Às vezes ele chega a te tocar a face, mas talvez você não sinta porque existe ainda uma camada tenra de lágrimas adormecendo seu rosto. Seque-as , enxugue-se, dispa-se desse remendo invulnerável e se deixe absorver . 
Feche os olhos apenas e irás escutar o sussurro do amor em teus tímpanos, dizendo “ Mãe, não chore mais por mim, apenas sorria porque o que havia de ser feito eu fiz, cumpri minha missão, que nada mais era do que ser seu filho, estive ai pra isso, para que você pudesse me dar seu imenso amor”

Angélica, Deus sabe realmente o que faz e já é hora de seguir em frente. Observe o que realmente importa nessa trajetória e foque no que ameniza a angustia de não telo mais fisicamente. Deixe-se lavar das tristezas, deixe essa pedra que carregas no bolso de trás na próxima estação de trem e siga adiante.

Alexandre não foi embora pra sempre, como você não está aqui pra sempre. É tudo questão de disciplina, estudo e percepção. 
O amor sempre está mais próximo do que podemos perceber.

Um grande beijo no avesso do seu coração".




Fragmento do outro texto enviado:

"Eu já li e reli tudo o que ele escreveu, os planos que traçou inutilmente, os anseios de menino bobo, meu filho bobo.
Por Deus, trocar o que pelo que? Não existe ouro, não existe riqueza que se sobreponha ao flagelo que sou hoje por dentro 
e não há amor que supra o esgoto em que se transformou meu coração.
Eu tento sobreviver diante do colapso que se tornou minha existência inútil olhando pelo ângulo que fui impedida de vê-lo se mutar em adulto. O que faço agora?
Eu viajo na luta por justiça, eu cai de cabeça no poço de vaidades e egoísmos que é a militância em nome do meu filho que por sua vez,nunca me disse que era gay. Eu preciso absorver calada as criticas, a dúvida, a calunia, quando eu somente queria estar cozinhando pra ele que nos meus sonhos estaria prestes a chegar .
Eu faço de tudo pra suprir a necessidade absoluta de continuar a criá-lo, de protegê-lo e isso não é possível.
Eu me entrego a falas, a desabafos, a momentos em que acontece um silêncio para me ouvirem, observo lágrimas, algumas verdadeiras, outras não, já que a dor de ter um filho morto só sabe quem teve que enterrar o amor em uma cova e deixá-lo pra trás para que a vida de uma maneira que ainda não descobri qual é, continue, porque dizem que eu ainda estou viva e eu não sei se é isso é realmente verdade.
Depois que a fala se encerra, observo que a minha luta é somente minha".


Rafael Menezes
ONG Cabo Free
Cabo Frio - RJ

ALEXANDRE (V)IVO PRESENTE!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Angelica Ivo e Zuzu Angel: A Procura da Justiça por seus filhos!

"Durante a ditadura militar, assistimos a ferozes atrocidades de assassinatos.

Dentre eles, pudemos saber do assassinato de Stuart Angel Jones. Após seu sumiço, a mãe, a famosa estilista Zuzu Angel (vulgo), procurou incessantemente Justiça pela morte do filho, o que rendeu também seu assassinato.


 
Não sei se mera coincidência, Chico Buarque fez uma música que tratava dessa mãe e chamou a poesia-canção de "Angélica", mesmo nome da mãe de Alexandre Ivo.

Alexandre e sua mãe Angélica Ivo por ocasião do aniversário de 15 anos de sua irmã Paula
 
Embora com evidentes diferenças, a busca por Justiça se repete às Angélicas.
 
Vejamos a música e comparemos:
 
 ANGÉLICA
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar"
 
 
Manifestação-ATO do movimento Alexandre (V)Ivo por Justiça

Cleber Teixeira
Coordenador do Colegiado do Fórum Estadual LGBT do ES 



"Porque há o direito ao grito, então eu grito." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 28 de março de 2012

CARTA DE UMA MÃE QUE PERDEU SEU FILHO ASSASSINADO PELA HOMOFOBIA

No dia 22 de março foi aprovado, em primeira votação pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, o Projeto de Lei 1082/2011 de autoria do Vereador Carlos Bolsonaro (PP) que proíbe a distribuição de qualquer material didático sobre diversidade sexual e combate à homofobia nas escolas públicas da capital do Rio de Janeiro. Na segunda votação, ontem, dia 27 de março, houve várias mobilizações, nas redes sociais, blogs, cartas, abaixo-assinados, etc, tanto para os vereadores quanto para o Prefeito Eduardo Paes. A resposta foi dada e ao PL foram apresentadas duas emendas de autoria dos vereadores Paulo Messina (PV) e Edison da Creatinina (PV). Com isso, volta para análise das Comissões Permanentes, sem data definida para uma segunda votação em plenário.


Angelica Ivo, mãe de Alexandre Ivo, assassinado aos 14 anos por crime de ódio - homofobia, fez uma Carta ao Prefeito Eduardo Paes sobre a posição de uma mãe sobre o PL homofóbico e antidemocrático.

"Caro Prefeito Eduardo Paes,
Sou uma mulher, uma filha e uma mãe que carrego comigo a maior dor que um ser humano pode carregar: a dor de ter um filho assassinado pela homofobia.
O meu filho foi torturado por três indivíduos de porte físico maior que o dele durante 3 horas. Ele lutou o quanto pôde por sua vida e sofreu todas as atrocidades que um crime de ódio pode produzir em um ser humano. Um menino de 14 anos que tinha o maior medo da violência e a sofreu na íntegra – e como golpe final eles usaram a própria camisa do meu filho e o enforcaram.
Isso ocorreu em São Gonçalo, em 20/06/20l0, durante a Copa do Mundo da África, e de lá pra cá me dei conta de que a homofobia mata, a homofobia produz assassinos e deixa marcas que vamos carregá-las durante nossa existência.
E é por isso que estou usando este espaço para que tome conhecimento de que desde o assassinato do meu filho essa estatística vem crescendo absurdamente não só na população LGBT mas em outros campos. E o senhor como homem, como filho e principalmente como pai deve tomar uma posição para que possamos de verdade fazer políticas públicas voltadas para esse assunto, para que mães como eu não venham a ver seus filhos desfigurados pela intolerância a ponto de ter que enterrá-los como foi o meu caso
… pela ignorância, pelo preconceito, e o que é pior: pela falta de LEI e JUSTIÇA que assola nosso país,
… e principalmente por parlamentares que insistem em votar LEIS usando discursos RELIGIOSOS.
Esse é um pedido de mãe que ainda está em busca de JUSTIÇA pelo assassinato do meu filho ALEXANDRE THOMÉ IVO RAJÃO."
ANGÉLICA IVO
23.03.2012

PELA CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA!



Agradecemos ao Site BABADO CERTO pela divulgação da Carta.
 http://babadocerto.com/2012/03/28/apelo-de-mae-de-vitima-de-homofobia-ao-prefeito-do-rio-de-janeiro/#comment-57004

A mesma CARTA originalmente se encontra no perfil da Comunidade Lei Alexandre Ivo - Oficial no Facebook
http://www.facebook.com/pages/Lei-Alexandre-Ivo-OFICIAL/149014631845962?ref=ts

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Gualter/Gambá - o Rei dos Passinhos e ALEXANDRE (V)IVO: Semelhanças!

QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É MERA COINCIDÊNCIA: 
Nossos jovens estão sendo exterminados!

Gualter Damasceno Rocha - o Gambá - o Rei dos Passinhos


ASFIXIA MECÂNICA! Esse é o laudo de Gualter Damasceno Rocha, o Gambá, o Rei dos Passinhos, mas também o mesmo laudo de ALEXANDRE (V)IVO.


Nesta sexta-feira, dia 10 de fevereiro de 2012, dois homens foram presos pelo crime, no dia 23 de junho de 2010, três rapazes foram presos pelo crime de assassinato de ALEXANDRE (V)IVO. Todos eles, tanto num caso, como no outro, negam participação e envolvimento no crime.
A família do Rei dos Passinhos reconhece, cinco dias depois, que o corpo enterrado como indigente, de forma anônima era de Gualter. A família de ALEXANDRE (V)IVO tem a mesma via crucis, reconhece o corpo no IML dois dias depois, conseguindo enterrar seu morto com dignidade.
As câmeras de vigilância das empresas, tanto em um caso, quanto em outro, mostram os nossos mortos, ainda com vida,  "olhando para trás" para tentar conferir se há alguém atrás deles, quem os seguia.
Ambos, Gualter e ALEXANDRE (V)IVO estão desarmados e desesperados, e as câmeras continuam a gravar, mas eles não estão mais na área de cobertura das mesmas. E ambas não gravam nenhuma perseguição. Gualter sem camisa, mas com calça jeans e tenis e ALEXANDRE (V)IVO com um short jeans, uma camisa da seleção brasileira (na época era Copa do Mundo), a mesma que foi usado para estrangulá-lo, e de sandália de dedos. Os dois, mesmo com seus gritos de socorro, não foram atendidos por nenhum cidadão seja carioca ou gonçalense, seria porque aparentemente estavam desarrumados? Ou porque a indiferença à vida alheia é a ética da atual convivência? As portas das casas trancadas, ninguém viu ou ouviu nada em ambos os casos.
A razão dos assassinatos são as drogas! Tanto em um caso, quanto no outro, os assassinos e seus familiares afirmam isso. No caso de ALEXANDRE (V)IVO foi pedido até exame toxicológico para comprovar que os nossos mortos, ainda em vida, só queriam mesmo se divertir nas festas, sem drogas, dançar, porque gostavam de dançar, cantar, porque gostavam de cantar, e isso independente das horas que se passam, seja porque já é madrugada ou porque amanheceu, "porque o tempo, o tempo não para, não para não, não para" e se segue. O Outro, ou os outros, tiram a vida sem dó nem piedade, colocando a culpa no ausente da cena dos crimes de assassinato, as drogas. Os culpados, em ambos os casos, foram as MÃOS de selvagens, cruéis, desumanos e homofóbicos.
Os laudos do IML comprovam que tanto Gualter quanto ALEXANDRE (V)IVO foram brutalmente espancados, com lesões em todo o corpo, e que a causa da morte foi ASFIXIA MECÂNICA. Os dois foram assassinados por estrangulamento.

Ambas as famílias querem justiça e ambas não sabem quais os motivos que levam a pessoas dessa desumanidade a fazer tal requinte de crueldade com seus filhos, irmãos, primos e amigos. É difícil entender mesmo. 

Abaixo reportagem do Fantástico - 12/02/2012 sobre a história do assassinato de Gualter

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1678361-15605,00.html
Neste outro link, a reportagem do Fantástico, 10/01/2011, mesmo de forma pontual, aborda o assassinato de ALEXANDRE (V)IVO!
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1640390-15605,00.html

PELA VIDA, PELA PAZ
TORTURA, VIOLÊNCIA e ASSASSINATO NUNCA MAIS!